Alê Flávio

"À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

Category: Pessoal

De volta pro meu aconchego (?)

Estou, oficialmente, forçando-me a escrever de novo e mais.

Não sei sobre o que. Não sei a periodicidade. Não sei por quanto tempo.

Mas preciso escrever pra viver melhor. A cabeça não dá mais conta de guardar toda a informação gerada diariamente nesse mundo cada vez mais retardado.

E eu não tenho mais condições de não dizer algumas coisas que eu ando pensando sobre as dores, alegrias e loucuras de (e do) ser humano.

E lá vamos nós, novamente. Espero que não seja promessa vazia em tempos de eleições obscuras.

Compartilhe:

E aí, escrevo o que?

Sempre que eu abro o blog pra tentar escrever algo, inevitavelmente me vem à mente um trecho do Guardador de Rebanhos, do Alberto Caeiro (que eu tenho quase certeza que já postei aqui):

O que penso eu do Mundo?
Sei lá o que penso do Mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

Porque escrever é dizer o que você pensa sobre qualquer coisa que seja – e às vezes eu penso tanto que, no final, não penso nada; acho tanta coisa que nem sei o que eu acho direito; quero dizer tanto mas não sei nem por onde começar.

Escrever é libertador demais, mas é, também, um tormento quando passa o trem do raciocínio, você não consegue entrar nele e observa as idéias passando pela estação.

Mas vamos lá. Mudei até o layout pra ver se muda a postura. Agora vai.

Vai?

Compartilhe:

Carpe Diem, meus amigos

Se o caro leitor já ouviu falar de Dream Theater provavelmente já ouviu falar também que eles são “uma banda muito técnica que só músico gosta; não tem feeling nenhum e é chato de ouvir”. Bom, não deixa de ser meio verdade – um pouco exagerado, mas um pouco verdade.

O DT, pra quem não conhece, é uma banda americana conhecida por ser pioneira do gênero “prog metal”, que mistura elementos do progressivo clássico (Yes, Genesis, Floyd, Rush etc) com elementos de metal tradicional. Justamente por ter sua base no progressivo, é uma banda com arranjos extremamente técnicos e músicas, em geral, longas.

Tá, e daí? Explico.

Achei um vídeo no YouTube deles tocando os 20 e tantos minutos de uma das músicas mais emblemáticas de toda a história da banda: “A Change of Seasons“. A apresentação traz um Dream Theater mais preciso e maduro do que nunca (o que, sinceramente, andou se perdendo) e um LaBrie impecável como há muito eu não via. Só que esses ainda não são os motivos de eu ter escrito esse texto.

Na época do colégio (anos 2000) eu era ultra-viciado nesses caras e meu objetivo, como aspirante a guitarrista, era atingir esse nível de excelência, tanto na execução quanto na composição desse tipo de som. E eu conheci um baterista que tinha, de certa maneira, o mesmo objetivo – excetuando-se o fato de que ele era infinitamente melhor que eu, de partida. Criamos uma amizade absurdamente próxima, forte, verdadeira e baseada na paixão pela música como um todo e, sobretudo, pelos som de bandas como DT, Rush e derivados.

E éramos tão idiotas – no bom sentido – que passávamos horas sentados pelas escadarias da ETELG, por exemplo, “cantando os intrumentos” das músicas e fazendo air drum e air guitar como se fôssemos mentalmente desequilibrados. Talvez fôssemos. Quando juntavamo-nos efetivamente pra tocar, não era diferente. Podíamos não conseguir executar todos os sons como gostaríamos, mas não importava: naquele momento éramos os melhores músicos do mundo.

E esse cara tinha uma banda que tinha acabado de ficar sem guitarrista. Ele fez um belo dum lobby pra eu entrar na banda e, no final, acabei sendo aceito. Banda essa que também teria um papel importantíssimo na minha banda e cuja história merece post próprio…

Perdido ainda? Agüenta mais um pouquinho, por favor. 🙂

Uma das músicas que mais falávamos sobre, discutíamos a estrutura e nos maravilhávamos com a composição era a própria A Change of Seasons. Uma das minhas memórias mais vívidas do passado é justamente um dia à tarde, na ETELG, sem aula, em que ficamos sentados nas escadarias internas do Bloco 2 (um dos prédios da escola) cantarolando os 23:09 da música, nota por nota, pausa por pausa.

Foi mágico, foi impecável, foi besta, foi real.

Em 2005 esse cara, infelizmente, nos deixou por conta de uma tragédia dessas que não fazem o menor sentido e meu mundo (e o de muitas, mas muitas pessoas mesmo, também) ficou mais cinza. E só escreverei uma linha sobre isso – uma linha que foi bem difícil de escrever, inclusive. Seguindo…

Aí hoje, sem querer, lendo matérias sobre música acabo caindo nesse vídeo e começo a ver sem muita expectativa. O “feeling que o DT não tem” me dá um tapa na cara nos primeiros minutos e o nó na garganta vem. Há muito tempo não ouvia (e via, nesse caso) um som que trouxesse tantas memórias e enchesse meus olhos de lágrimas no meio do trabalho; um som que eu tinha esquecido o quão representativo e forte é pra mim; um som que, ironicamente, trata justamente dessa inconstância e efemeridade da nossa vida, da nossa própria mudança de estações.

Como diz mais do que apropriadamente o trecho do poema “To The Virgins, to Make Much of Time”, do poeta inglês Robert Herrick, poema este que ficou famoso no filme Sociedade dos Poetas Mortos e foi usado para dar suporte ao tema da música:

Gather ye rosebuds while ye may,
Old Time is still a-flying;
And this same flower that smiles today
To-morrow will be dying.

A vida dá e tira, as coisas chegam e vão, tudo é movimento, tudo é começo e fim. A gente precisa aproveitar a vida e suas coisas boas com intensidade e paixão, pois é isso que nos dá sentido.

E a você, André, onde você estiver espero que esteja compartilhando sua alegria, simplicidade e pureza com todos a seu redor. Você faz uma falta absurda aqui, mas sou extremamente grato por ter convivido com você o tempo que convivi – e tenho certeza que você olha pela gente o tempo todo e se diverte com o pouco de você que ficou em cada um de nós.

É isso.

Ah, e ouve lá o som. Vale a pena, sobretudo se acompanhar com a letra.

Abraços.

Compartilhe:

Uma pequena nota de Natal

(Imagem: Adoration of the Magi)

Amigos,

mais um novo ano e um novo Natal se aproximam e, com eles, nossas esperanças se renovam.

O Natal, ainda que um pouco “maculado” pela nossa própria humanidade desenfreada e afobada, é um oásis de esperança e renovação, na minha modesta opinião, e precisa ser lembrado como tal. Mesmo que você não acredite em Deus ou não tenha nenhum tipo de crença, o Natal pode, sim, simbolizar um momento extremo de união, em que as energias boas do mundo todo ressoam em uníssono.

Que Deus possa nascer mais uma vez em nossas vidas e que Ele possa encher-nos de luz, esperança e paz; que, junto de nossos entes queridos, todos tenhamos uma noite incrível e de preparação para os desafios de mais um ano que já dobra a esquina.

Desejo a todos vocês toda a felicidade e paz do mundo e agradeço a cada por fazer parte da minha vida, cada de sua maneira especial e indispensável.

Obrigado!

Um Santo Natal e um formidável 2015!

Alê

Compartilhe:

Gripe

Meus olhos ardem
Minha cabeça dói
Tenho gripe.

Mas é a gripe do mundo
Congestionando meus sentidos;
Sinto meu coração pesado, constipado –
Fraco e acamado

Há antibiótico prum’alma febril?

Compartilhe:

A bifurcação

Yes, there are two paths you can go by
But in the long run
There’s still time to change the road you’re on

Chega uma hora na vida em que a gente precisa decidir entre fazer o que gosta e fazer o que precisa. Ambas as escolhas são válidas e, basicamente, dependem de como você enxerga a sua vida, o seu futuro.

O problema é que quando a gente chega nessa bifurcação a tendência é a gente travar, sobretudo quando percebe que não quer fazer o que precisa, mas sim, o que gosta, o que é apaixonado. Ok, esse é um tema delicado e muito “aberto”, mas tentarei expor o meu lado.

Esqueçam as pessoas que trabalham com o que gostam de verdade e são felizes (eu as invejo, de maneira boa, mas invejo!). O alvo do meu texto não são elas – são aquelas que, como eu, hoje têm uma carreira profissional consolidada em alguma área, mas, no fundo, a paixão reside em outras bandas.

O que fazer? Investir em cursos, pós e afins na chamada “área de atuação”, para ser diferente no mercado e sempre ser lembrado pelas empresas, por promoções e, consequentemente ter um salário sempre crescendo exponencialmente, ou investir na felicidade própria, correndo o “risco” de ter seu salário, de certa forma, estagnado (e sua “carreira” também)?

Ambos os caminhos são válidos e, basicamente, dependem, de novo, do que você julga ser importante pra sua vida. No fundo a escolha é entre estabilidade financeira e estabilidade emocional, penso eu.

Mas… há um equilíbrio possível, não há?

Claro que há. O problema é que hoje nós fazemos parte de uma sociedade que nos empurra em busca do sucesso e do “glamour” profissional; hoje, na minha modesta e humilde opinião, cada vez mais há pessoas que estão muito mais preocupadas com o cargo em seu crachá do que com a paz no seu coração. E há muito mais pessoas dispostas a “comer nossa mente ” (CÁRDENAS, Ulises) e nos convencer de que o certo é ser financeiramente bem-sucedido.

Eu sou um cara utópico. Eu sempre fui utópico. Por isso, talvez, volta-e-meia eu faça merda; e eu sempre estive nessa bifurcação, esperando o vento soprar me dando a dica pra onde eu devia seguir.

Cá estou eu novamente – e acho que, pela primeira vez, eu sei pra onde devo ir.

Abraços

Compartilhe:

Vale a pena querer ser protagonista na história dos outros?

Quando, no primeiro ano da faculdade, meu professor de Língua Portuguesa José Marinho – um dos melhores professores que já tive – leu o “Se Te Queres Matar” do Álvaro de Campos, dois trechos me chamaram atenção e, até hoje, ficam rodopiando na minha cabeça de tempos em tempos. São eles:

Trecho 1

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém…
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te…
Talvez peses mais durando, que deixando de durar…

Trecho 2

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Na minha opinião, mais do que modesta, Campos acerta em cheio. Temos uma incrível necessidade de sermos protagonistas na história de vida dos outros (todos os outros!) e, mais que isso, de achar que seremos pessoas insubstituíveis e inolvidáveis. É claro que no poema o autor extrapola o argumento e se utiliza da idéia da morte e de uma pesada insignificância do ser humano para sustentar tal arugmento; porém, acho que dá pra traçar um paralelo com o dia a dia de “gente viva”.

Às vezes pessoas se mudam pra outras cidades e ficamos desesperados com a perspectiva de que, com o tempo, elas poderão nos esquecer; ou mesmo quando você se forma no colégio e teme pelo futuro daquelas amizades incríveis que você construiu. Bem, realmente poderão nos esquecer e as amizades poderão se findar, mas o que se há de fazer? Você fez a sua parte marcando a vida destas pessoas, não? Então, vida que segue.

Não estou aqui dizendo que é inútil tentar fazer a diferença na vida daqueles que você gosta, que você ama – muito pelo contrário: eu acho imprescindível! Mas aqui faço a ressalva que me motivou a escrever esse texto-sem-nexo-da-segunda-feira: deve-se fazer notar o seu apreço, o seu carinho por aqueles que você ama sempre que possível e, claro, desde que seja espontâneo. Mas, talvez, devamos tratar este tema com um pouco mais de leveza, afinal, é uma relação que envolve terceiros – e não temos como controlar como eles vão agir (alguns dirão infelizmente, rs).

Porém, não desista de marcar a vida daqueles que você gosta. Além da sensação incrível que isso causará em você, certamente a quantidade de pessoas que te lembrarão com carinho, ainda que esporadicamente, é bem maior do que as que te jogarão no balaio do esquecimento.

E as que te jogam no balaio do esquecimento, bem, talvez não merecessem de verdade a tua atenção.

Abs

Compartilhe:

Foco, meu jovem, foco.

Brain-Synapse-WallpaperFico impressionado com a capacidade da nossa mente em tender a se concentrar em coisas menos importantes – ou, se não menos importantes, menos divertidas, diariamente.

Ao longo dos anos nós desenvolvemos uma capacidade incrível de criar realidades paralelas. De um pequeno acontecimento em nossas vidas, somos capazes de, praticamente, roterizar um filme inteiro, com finais alternativos, inclusive, se quisermos. E não acho isso ruim de verdade. De certa maneira, isso nos ajudar a manter o cérebro sempre trabalhando e, na minha opinião, melhora nosso pensamento lógico, enriquece nossos argumentos e até colabora no nosso discernimento.

A questão é que às vezes você não está com saco pra isso – você só quer entrar na caixa e ficar ali por um tempo. E é justamente aí que nossa mente decide que ela quer trabalhar em overclock. Em cima disso, penso que um dos grandes desafios do homem moderno é, portanto, a concentração. Estamos rodeados por acontecimentos, tecnologias incessantemente atualizadas, as famigeradas redes sociais e ainda temos que lidar com as coisas “antigas”, como relacionamentos, família, amigos… Pra pessoas como eu, isso é um pesadelo. É entrar num turbilhão de processamento de informações que os computadores mais potentes de nossa era penariam pra, bem, processar.

Organizar. A palavra chave para um dia-a-dia mais saudável – espero que este pequeno e modesto espaço aqui me ajude nesse aspecto. E espero que vocês não entrem nesta mesma tormenta de idéias comigo – vocês não merecem. 🙂

Ah, para ilustrar o que tentei dizer nessas poucas linhas, sugiro que ouçam a música “Six Degrees of Inner Turbulence”, do disco homônimo da banda Dream Theater. Sugiro que acompanhem com as letras em mãos, rs. Playlist do Rdio abaixo.

Playlist – Six Degrees of Inner Turbulence

Abs.

 

Compartilhe:

Uma pequena nota sem motivo, ou “Coca Zero me dá barato”.

Um dos textos mais legais – e simples – que eu já escrevi, escrevi no Facebook, mesmo tendo este blogue. Para fazer justiça, lá vai.

A fantástica e caótica Av. Paulista me traz muitas recordações. Foi aqui que, há quase exatamente 9 anos, comecei minha jornada neste igualmente fantástico e caótico mundo da publicidade online. A Globo.com abria suas portas para um jovem “estudante de Letras”, que por sua vez, precisava decidir, de uma vez por todas, se seguia carreira acadêmica ou se arriscaria ter de explicar dia sim, dia não “como a Netshoes sabe que eu quero comprar um Nike se eu não contei nem pra minha mãe”. 

De certa forma, esses dois mundos teoricamente opostos se cruzaram na minha vida. Há um que de acadêmico no nosso trabalho, não há? Assim como tudo que envolve tecnologia, todo dia há um sistema novo, uma solução nova, uma empresa nova – e cabe a nós descobrir como tudo funciona e passar o conhecimento adiante.

Obrigado a todos que me ajudaram nesta jornada até aqui – certamente são muito mais dos que o que tentaram, sem sucesso, atrapalhar. Ainda há muito que se fazer, melhorar e, obviamente, aprender. 

Compartilhe:

© 2018 Alê Flávio

Theme by Anders NorenUp ↑