Alê Flávio

"À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

Tag: opinião

50 tons de… nhé.

Ontem fui ao cinema assistir ao 50 Tons de Cinza. Por que? Uai, porque eu tava curioso pra ver “o filme mais aguardado dos últimos tempos” e curioso pra saber o que de tão putanhesco tinha nesse filme que era capaz de fazer Calígula virar filme de sessão da tarde.

Falando sério, é fraco. Fraco porque, francamente, não existe história nenhuma acontecendo. Os personagens são incrivelmente superficiais levando em conta a densidade da história que se anunciou por tanto tempo. O filme parece não “decolar”, entende?

Aí vocês podem justificar que a história é, justamente, todo o lance do sexo, e de como ele determina o relacionamento e os conflitos da moça e do moço. Surpresa: não tem também. Há, no máximo, 3 cenas de sexo e em apenas 1 delas você vê gerar algum tipo de conflito emocional nas personagens. No restante, Emanuelle gourmet. Aliás, roubando a frase da Bru: “mesmo que a autora tenha preenchido 70% do livro com cenas de sexo incessantes, não tem como ficar melhor que isso”. E é bem por aí.

Falta liga, sabe? O ponto é que há filmes/livros muito menos pretensiosos que preenchem esse espaço que os 50 tons se diziam preencher.

Inclusive, roubo, também, os tweets da Bru sobre o filme. Pra mim melhor resumo não há:

Sei que vou ser xingado porque parece que estou criticando quem gosta da história, mas não é nem de longe isso. Gosto é pessoal e ponto. Se você gostou/gosta, ótimo! Tem mesmo é que ler, assistir e se entreter! Agora, as minhas impressões foram essas.

De novo: gosto é pessoal, o blog é meu e tem espaço pra comentários aí embaixo. Divirtam-se!

Abs

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A sonhadora ansiedade de cada um

Ser ansioso é viver num mundo muito peculiar; é viver dialogando com a eterna fantasia do que ainda não aconteceu e, talvez, nunca, de fato, aconteça. Ou, ainda, querer que o tempo possa ser dobrado ao seu bem entender e que as coisas se movimentem e caminhem quando você bem entende. É ser um pouco egoísta e prepotente, afinal, até o tempo você quer controlar…

É ser um pouco frágil, num certo sentido, também. É não querer aceitar que algumas coisas não podem ser controladas e que as coisas acontecem quando elas têm que acontecer e tudo o que você pode fazer é esperar. É se dar um pouco conta que o centro das coisas não é você – você é uma parte bem pequena dum quebra-cabeças bem grande.

O engraçado é que, em geral, quem é ansioso pras coisas da vida é, também, sonhador – e quem não gosta de sonhar? Parece que essas duas características andam bem juntinhas, ou seja: ao mesmo tempo que você gasta energia desesperado pelo que pode acontecer e/ou porque ainda não aconteceu, você também tem a capacidade de arquitetar aquilo que, pra você, é o mundo ideal que você quer habitar e ser feliz.

Claro que tudo que é exagerado pode ser mais doloroso do que prazeroso; sentir ansiedade demais ou sonhar demais pode nos desconectar além da conta da realidade, do palpável… um pouco que nem aquela cena do filme A Origem, em que a personagem da Marion Cotillard já não sabe mais se ela está sonhando ou se esta vivendo o real (spoiler neste link, se você não viu o filme).

Mas isso, amigos, é a minha modesta opinião, viu? Discordem à vontade, mas eu acredito, num certo sentido, que não se é possível sonhar sem ser ansioso.

E eu sou ansioso.

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Das diferenças entre estar empregado e trabalhar

Eu tenho reparado que há uma galera no mercado de trabalho que olha pro emprego como a nossa geração (1985 pra trás) olhava pra educação física no colégio: ela fazia parte da grade, você tinha que freqüentar mas a discussão que dominava sempre era “eu faço se eu quiser” ou, ainda, “se não for futebol, vou ficar de boas“.

Acho que isso constitui uma metáfora perfeita do mercado de trabalho atual. Você vê pessoas que enxergam o emprego apenas como um provedor de dinheiro a quem você não deve obrigações: você é contratado, eles te pagam mas você só trabalha se você tiver afim no dia – e falo isso com exemplos extremamente próximos a mim.

Eu sempre costumo dizer que você não está fazendo um favor pra empresa trabalhando lá e, por mais burguês-capitalista-comedor-de-bigmac-que-dorme-de-meia que isso possa soar pra alguns, você precisa da empresa muito mais que ela precisa de você, individualmente. É triste, mas é assim, queridão.

Ninguém é obrigado a gostar de trabalhar, afinal, combinemos, é um puta pé no saco; mas a partir do momento que uma empresa te contrata ela está te dando uma oportunidade e se comprometendo com você, além de, claro, acreditar que você pode ajudá-la a ganhar mais dinheiro ainda – não sejamos hipócritas. E não adianta ficar revoltado: assim como você gosta de tv a cabo ou de um tênis transado (ok, exagerei no termo aqui, mas foi incontrolável), a empresa também gosta de rechear seus cofres com muita dinheirinha.

Vejam: não estou dizendo que todos têm que trabalhar com cabeças baixa, marchando em uníssono e sem contestar nada (alguém falou The Wall?), mas eu aprendi que o mínimo que a gente deve pra uma empresa quando ela nos contrata  (e pra outras muitas coisas, mas o tópico aqui é trampo, meu) é retribuir a confiança e o comprometimento que eles tiveram conosco.

Em tempo: meus queridos irmãos Henrique e Eduardo, leiam esse texto com carinho. 😀

Abraços

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