Poema em linha reta 

A atualidade dos poemas do Álvaro de Campos chega a assustar…  Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, […]

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O Senhor e o andador

(Imagem: rodrigospilla.wordpress.com) Com um andador, subia minha rua, um pequeno senhor. Passos sofridos, difícieis e doloridos. No semblante, era visível sua frustração. A cada passo, um suspiro e uma olhada no horizonte – o que outrora era perto, hoje parecia inalcançável; e certamente, as estripulias de moleque, ocupavam sua mente Mas ele seguiu conquistando cada centímetro, […]

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Esta velha angústia

Esta velha angústia, Esta angústia que trago há séculos em mim, Transbordou da vasilha, Em lágrimas, em grandes imaginações, Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror, Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum. Transbordou. Mal sei como conduzir-me na vida Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! Se ao menos endoidecesse deveras! Mas […]

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Sinto

Sinto dor Sinto amor Sinto o sabor Do nosso torpor Sinto felicidade Sinto necessidade Sinto a realidade Da nossa efemeridade Sinto medo Sinto culpa Sinto a angústia Das nossas dúvidas Sinto calor Sinto frio Sinto o sono No vazio da noite Sinto muito, sinto tudo Sinto ontem, sinto hoje Eu sinto… Sinto.

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Álvaro de Campos – sempre preciso. TABACARIA Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), […]

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