Alê Flávio

"À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

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O Nada como necessidade

Hoje acordei contemplando o nada. Sentado ali, no limbo de sentimentos, tentava entender que tipo de reação é possível no vazio.

Não estou triste nem alegre, apenas não estou. É como se minha mente tivesse atingido o máximo e tenha escolhido hoje como um dia para descompressão, como os computadores que travam no meio do expediente.

Na terapia foram 50 minutos admitindo que talvez eu não tivesse nada pra dizer, ou pensar, ou elaborar. Foram voltas e voltas atrás do rabo, tentando achar a raiz de algo que é, essencialmente, ausência. Nem o 1984, que sempre chama minha atenção por ser o único romance entre dezenas de livros teóricos de psicologia me intrigou hoje.

Olhar pro nada, de maneira catatônica, parece ser a única alternativa quando sentimos essa fadiga mental. Diariamente, absorvemos mais do que queremos (e percebemos) e não processamos nem 1% disso adequadamente; em determinado momento a mente quer apenas espaço, ócio, nada.

Um brinde ao deserto existencial!

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Ideias, moléculas e água fervente

Minha cabeça é uma coleção de ideias e ideais desorganizados, caóticos como moléculas de uma chaleira d’água em fervura.

Sempre esperei a água esfriar, mas começo a achar melhor usar a água pra passar um café enquanto compartilho meus desassossegos.

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Nossa própria distopia

Sentei pra escrever um texto e vi meu último, que foi mais um apelo desesperado do que um artigo. De qualquer maneira, não deu e vivemos numa distopia digna de um filme do Aronofsky. Mas isso é tópico pra outro momento.

O que eu quero falar é sobre a nossa própria distopia; aquela que a gente cria pra gente mesmo diariamente e nem se dá conta.

Eu faço terapia há algum tempo já e uma das minhas queixas recorrentes é sobre minha dificuldade de me engajar em coisas além do meu trabalho normal diário; coisas que sempre me alimentaram mental e espiritualmente e me ajudaram a diminuir um pouco a pressão do dia-a-dia.

E a nossa muleta preferida é o tempo. “Não tenho tempo”, “não tive tempo”, “quando vou ter tempo pra isso”, tempo, tempo, tempo… E é justificável, vai. Vivemos em uma era em que somos sufocados diariamente por um excesso de informação e obrigações as quais achamos que devemos absorver e fazer algo com tudo. Só que, pra mim, esse é só um ponto (e não tão justificável).

Na minha opinião, o pior que criamos é a tal da distopia que comentei um pouco acima. Voltando ao meu exemplo pessoal: eu sempre escrevi razoavelmente bastante e, de uns tempos pra cá, praticamente parei. E por que parei? Bem, tempo pode ser um motivos, mas, a definição de expectativas num nível absurdamente alto e, em certa medida, inalcançável é o pior. Essa é a distopia, um mundo futuro criado à partir de um medo irracional de falhar.

Antes mesmo de nos propormos a fazer qualquer coisa, começamos a nos questionar se somos capazes, se temos o que é necessário, se vamos conseguir, se é relevante, se os outros vão gostar etc. Mais do que isso: é já ter definido na sua cabeça que não tem a menor condição (e razão) de fazer o que você quer e, então, pra que se dar ao trabalho de começar. Estamos sempre esperando demais de nós mesmos.

Por isso que expressões como “se você quer fazer algo é só começar” têm sua validade, mas não cobrem o cenário macro. Não é só preguiça. Não é só procrastinação. É auto-inveja, auto-estima baixa, medo puro, traumas, enfim, um conjunto de fatores que se nós mesmos não conseguirmos elencar e ter ciência deles, não sairemos nunca do lugar.

Eu ainda não achei uma solução pra mim em quase 5 anos de terapia e uns 2 de consciência desses movimentos. Eu tenho dificuldade de voltar a escrever frequentemente (notem o tempo entre um texto e outro), estou sempre pronto a providenciar desculpas pra não ler meus livros e tenho frases prontas pra não sentar e passar horas tocando guitarra

Esse texto é mais uma tentativa de desmontar a distopia por dentro, uma tentativa de contar pra outros que isso tudo existe e que é preciso admitir pra seguir.

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