"À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

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BBB é bom pra quem?

Como tudo que eu faço nessa vida, claramente eu deixei pra escrever esse primeiro texto da ~volta~ no limite do dia que eu disse que ia escrever: são 23:25 e eu comecei a escrever o texto agora. Mas vamos lá.

Quando eu pensava sobre o que eu queria escrever lembrei que esse é o primeiro Domingo do Big Brother Brasil e acho que é um bom tema pra voltar aqui (além de ser polêmico) por si só.

Eu gosto de quando começa o BBB porque, junto com ele, vem toda aquela tropa de paladinos da Cultura e da Intelectualidade, que sempre trazem um argumento bem embasado (ironia inclusa) de porque assistir o programa é perda de tempo.

Pra quem num sabe eu trabalhei por quase 6 anos lá no Plim Plim e, quando entrei, o programa estava na 5ª edição e eu também partilhava do discurso “porra, que perda de tempo essa merda – ler um livro ninguém quer” (imaginem: jovem e estudante de Letras) e trabalhar na emissora do programa, e diretamente com o programa, parecia que seria um suplício. Acho que foi ali que eu entendi a bobagem que é esse discurso pseudo-intelectualoide-burguês.

O BBB é um programa de entretenimento* feito pra gerar receita pra emissora, visibilidade pras marcas, pras pessoas que estão na casa, assim como é futebol e suas infinitas mesas-redondas, novelas, Topa Tudo por Dinheiro e a Ana Maria Braga. Você não vê ninguém rasgando o cu com a unha na internet porque o amigo passa o a segunda-feira toda vendo o programa do Neto em vez de ler uma coletânea de sonetos do Shakespeare. Veja: assistir BBB é como comer jiló, se você num gosta você não é obrigado.

Desde que o programa veio pra cá tentam criar essa dicotomia BBB x intelectualidade por alguma razão que eu realmente num consigo entender (e, sinceramente, acho que nunca vou conseguir). Inclusive, pensando em retrospecto, aqueles textos horrorosos de eliminação com uma certa aura de superioridade acadêmica (que não existe, tá?) escritos pelo Pedro Bial e, mais tarde, pelo Thiago Leifert (ainda não sei o que vai fazer o Tadeu) são uma tentativa de mostrar que tem muita cultura no Big Brother sim!

O BBB traz à tona uma das piores facetas do ser-humano que é a cagação de regra do que é bom e ruim baseado em nada mais que dedo ao vento e preferência pessoal; é aquela mania que a gente tem de sempre achar que conhece uma banda melhor, um livro mais interessante ou um filme mais espetacular; de que a expressão cultural do interior de uma cidade de Roraima é muito mais autêntica que a de uma cidade grande do sul da Suécia. É natural gostarmos de coisas diferentes, mas o que num é natural é atribuir uma espécie de regra de qualidade baseada nas suas preferência e/ou experiências.

Essa coisa de (novamente) pseudo-intelectuais que acham que fazem parte de um grupo especial que define o que é bom ou ruim pra sociedade tem tudo a ver com o projeto mais do que antigo no mundo em segregar pessoas porque sim em busca de um pretenso poder – mas esse é papo pra outra hora.

Portanto, se você acha que o BBB é um programa merda que num vai agregar nada na sua vida não assiste e vá você ler um livro; aliás, qual foi o último livro que você leu?

Até semana que vem.

*Cabe aqui uma distinção importante: o programa é um entretenimento sim, mas coisas que acontecem no programa (como episódios de racismo, violência contra mulher, transfobia) estão longe disso e devem ser tratados como os crimes que são. Isso não pode, no entanto, remover a condição geral de entretenimento.

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Sobre o silêncio

Acontece que o silêncio,
Se não bem apreciado e compreendido,
(E não só se pode fazê-lo, como deve-se)
Pode se tornar facilmente
Um ensurdecedor estampido

Alexandre Flávio, Junho 2015

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A sonhadora ansiedade de cada um

Ser ansioso é viver num mundo muito peculiar; é viver dialogando com a eterna fantasia do que ainda não aconteceu e, talvez, nunca, de fato, aconteça. Ou, ainda, querer que o tempo possa ser dobrado ao seu bem entender e que as coisas se movimentem e caminhem quando você bem entende. É ser um pouco egoísta e prepotente, afinal, até o tempo você quer controlar…

É ser um pouco frágil, num certo sentido, também. É não querer aceitar que algumas coisas não podem ser controladas e que as coisas acontecem quando elas têm que acontecer e tudo o que você pode fazer é esperar. É se dar um pouco conta que o centro das coisas não é você – você é uma parte bem pequena dum quebra-cabeças bem grande.

O engraçado é que, em geral, quem é ansioso pras coisas da vida é, também, sonhador – e quem não gosta de sonhar? Parece que essas duas características andam bem juntinhas, ou seja: ao mesmo tempo que você gasta energia desesperado pelo que pode acontecer e/ou porque ainda não aconteceu, você também tem a capacidade de arquitetar aquilo que, pra você, é o mundo ideal que você quer habitar e ser feliz.

Claro que tudo que é exagerado pode ser mais doloroso do que prazeroso; sentir ansiedade demais ou sonhar demais pode nos desconectar além da conta da realidade, do palpável… um pouco que nem aquela cena do filme A Origem, em que a personagem da Marion Cotillard já não sabe mais se ela está sonhando ou se esta vivendo o real (spoiler neste link, se você não viu o filme).

Mas isso, amigos, é a minha modesta opinião, viu? Discordem à vontade, mas eu acredito, num certo sentido, que não se é possível sonhar sem ser ansioso.

E eu sou ansioso.

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