Hoje acordei contemplando o nada. Sentado ali, no limbo de sentimentos, tentava entender que tipo de reação é possível no vazio.

Não estou triste nem alegre, apenas não estou. É como se minha mente tivesse atingido o máximo e tenha escolhido hoje como um dia para descompressão, como os computadores que travam no meio do expediente.

Na terapia foram 50 minutos admitindo que talvez eu não tivesse nada pra dizer, ou pensar, ou elaborar. Foram voltas e voltas atrás do rabo, tentando achar a raiz de algo que é, essencialmente, ausência. Nem o 1984, que sempre chama minha atenção por ser o único romance entre dezenas de livros teóricos de psicologia me intrigou hoje.

Olhar pro nada, de maneira catatônica, parece ser a única alternativa quando sentimos essa fadiga mental. Diariamente, absorvemos mais do que queremos (e percebemos) e não processamos nem 1% disso adequadamente; em determinado momento a mente quer apenas espaço, ócio, nada.

Um brinde ao deserto existencial!

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