"À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

Categoria: Reflexões (Page 17 of 17)

Metade

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Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida
A outra metade é saudade

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo

Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Pois metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Pois metade de mim é abrigo
A outra metade é cansaço

Que a arte me aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Pois metade de mim é plateia
A outra metade é canção

Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade também

Oswaldo Montenegro

(Crédito da imagem deste post: https://m.flickr.com/#/photos/andreenascimento/7115838683/)

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Uma grande piscina, de fato.

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Pra mim, às vezes a vida se parece como uma grande piscina: você só tira sua cabeça da água pra tomar fôlego e continuar nadando.

Normalmente tudo corre bem: você tira a cabeça, abre os olhos, vê aquelas bandeirinhas, as outras pessoas da piscina e segue. Mas há vezes em que a água entra pelo nariz, pela garganta e você engasga; precisa segurar na borda (ou naquelas divisões flutuantes das raias) pra se recuperar e não se afogar.

Nessa hora, você pondera uma série de coisas, sobretudo a distância até o fim da raia e se você está afim de enfiar a cabeça n’água de novo e ir até o fim.

Há metáfora melhor?

Abs

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