Alê Flávio

"À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

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Sobre buscas, encontros e desencontros.

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A gente passa a nossa vida procurando muita coisa. No fundo eu até acho que é normal; leva tempo pra que a gente sinta que, de certa forma, conseguimos encontrar boa parte das coisas que procurávamos.

E falo boa parte porque é virtualmente impossível encontrar tudo. E, mesmo que fosse possível, às vezes me pergunto se gostaríamos…

A vida acontece e, de certa maneira maluca, ganha forma e relevância no caos (ou em parte dele), quero dizer: mesmo que tudo fosse 100% encontrado, a gente, naturalmente, se colocaria a pensar que “possivelmente há algo errado por aqui” – porque é preciso haver o contra-peso (sabe Yin-Yang e tal? Então…)!

Agora, há coisas, as que nos completam como seres, que precisam ser achadas em algum lugar; elas são uma espécie de “peça faltante na engrenagem da nossa completude”. E, na minha opinião, essas coisas variam de uma pessoa pra outra; não há um padrão ou algo em comum a todos. Cada um tem, e busca, as suas.

Seguindo esta linha de análise, ou raciocínio, podemos, então, afirmar que o que gera uma parte do sofrimento (uso sofrimento por falta de uma palavra mais adequada) da vida é a busca por essas peças faltantes. Nós não temos noção, de fato, de como elas são, o formato que têm e onde elas estão para que possamos encontrá-las, buscamos e, obviamente, podemos cometer erros. Afinal, por mais frio e calculista que isso possa parecer, é um processo totalmente empírico e, como tal, baseado em tentativas e erros – e errar é ruim. Aí complica… afinal, à parte a metáfora das peças, em geral buscamos nossa completude nas relações humanas, sejam elas amorosas, de amizade e, claro, familiares.

Portanto, o que cabe a nós neste processo, penso eu, é entender que haverá, no caminho percorrido, buracos dentro dos quais possivelmente cairemos vez ou outra. Mas, cair no buraco, é aprender que, na próxma vez que você se deparar com um, você poderá desviar e seguir sua busca tranqüilamente.

Mais que isso: cabe a nós aprender que nada nessa vida é desperdício, tudo é aprendizado e crescimento.

É árduo e trabalhoso, mas, certamente, recompensador.

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A bifurcação

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Yes, there are two paths you can go by
But in the long run
There’s still time to change the road you’re on

Chega uma hora na vida em que a gente precisa decidir entre fazer o que gosta e fazer o que precisa. Ambas as escolhas são válidas e, basicamente, dependem de como você enxerga a sua vida, o seu futuro.

O problema é que quando a gente chega nessa bifurcação a tendência é a gente travar, sobretudo quando percebe que não quer fazer o que precisa, mas sim, o que gosta, o que é apaixonado. Ok, esse é um tema delicado e muito “aberto”, mas tentarei expor o meu lado.

Esqueçam as pessoas que trabalham com o que gostam de verdade e são felizes (eu as invejo, de maneira boa, mas invejo!). O alvo do meu texto não são elas – são aquelas que, como eu, hoje têm uma carreira profissional consolidada em alguma área, mas, no fundo, a paixão reside em outras bandas.

O que fazer? Investir em cursos, pós e afins na chamada “área de atuação”, para ser diferente no mercado e sempre ser lembrado pelas empresas, por promoções e, consequentemente ter um salário sempre crescendo exponencialmente, ou investir na felicidade própria, correndo o “risco” de ter seu salário, de certa forma, estagnado (e sua “carreira” também)?

Ambos os caminhos são válidos e, basicamente, dependem, de novo, do que você julga ser importante pra sua vida. No fundo a escolha é entre estabilidade financeira e estabilidade emocional, penso eu.

Mas… há um equilíbrio possível, não há?

Claro que há. O problema é que hoje nós fazemos parte de uma sociedade que nos empurra em busca do sucesso e do “glamour” profissional; hoje, na minha modesta e humilde opinião, cada vez mais há pessoas que estão muito mais preocupadas com o cargo em seu crachá do que com a paz no seu coração. E há muito mais pessoas dispostas a “comer nossa mente ” (CÁRDENAS, Ulises) e nos convencer de que o certo é ser financeiramente bem-sucedido.

Eu sou um cara utópico. Eu sempre fui utópico. Por isso, talvez, volta-e-meia eu faça merda; e eu sempre estive nessa bifurcação, esperando o vento soprar me dando a dica pra onde eu devia seguir.

Cá estou eu novamente – e acho que, pela primeira vez, eu sei pra onde devo ir.

Abraços

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Das diferenças entre estar empregado e trabalhar

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Eu tenho reparado que há uma galera no mercado de trabalho que olha pro emprego como a nossa geração (1985 pra trás) olhava pra educação física no colégio: ela fazia parte da grade, você tinha que freqüentar mas a discussão que dominava sempre era “eu faço se eu quiser” ou, ainda, “se não for futebol, vou ficar de boas“.

Acho que isso constitui uma metáfora perfeita do mercado de trabalho atual. Você vê pessoas que enxergam o emprego apenas como um provedor de dinheiro a quem você não deve obrigações: você é contratado, eles te pagam mas você só trabalha se você tiver afim no dia – e falo isso com exemplos extremamente próximos a mim.

Eu sempre costumo dizer que você não está fazendo um favor pra empresa trabalhando lá e, por mais burguês-capitalista-comedor-de-bigmac-que-dorme-de-meia que isso possa soar pra alguns, você precisa da empresa muito mais que ela precisa de você, individualmente. É triste, mas é assim, queridão.

Ninguém é obrigado a gostar de trabalhar, afinal, combinemos, é um puta pé no saco; mas a partir do momento que uma empresa te contrata ela está te dando uma oportunidade e se comprometendo com você, além de, claro, acreditar que você pode ajudá-la a ganhar mais dinheiro ainda – não sejamos hipócritas. E não adianta ficar revoltado: assim como você gosta de tv a cabo ou de um tênis transado (ok, exagerei no termo aqui, mas foi incontrolável), a empresa também gosta de rechear seus cofres com muita dinheirinha.

Vejam: não estou dizendo que todos têm que trabalhar com cabeças baixa, marchando em uníssono e sem contestar nada (alguém falou The Wall?), mas eu aprendi que o mínimo que a gente deve pra uma empresa quando ela nos contrata  (e pra outras muitas coisas, mas o tópico aqui é trampo, meu) é retribuir a confiança e o comprometimento que eles tiveram conosco.

Em tempo: meus queridos irmãos Henrique e Eduardo, leiam esse texto com carinho. 😀

Abraços

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