Alê Flávio

"À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"

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Carpe Diem, meus amigos

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Se o caro leitor já ouviu falar de Dream Theater provavelmente já ouviu falar também que eles são “uma banda muito técnica que só músico gosta; não tem feeling nenhum e é chato de ouvir”. Bom, não deixa de ser meio verdade – um pouco exagerado, mas um pouco verdade.

O DT, pra quem não conhece, é uma banda americana conhecida por ser pioneira do gênero “prog metal”, que mistura elementos do progressivo clássico (Yes, Genesis, Floyd, Rush etc) com elementos de metal tradicional. Justamente por ter sua base no progressivo, é uma banda com arranjos extremamente técnicos e músicas, em geral, longas.

Tá, e daí? Explico.

Achei um vídeo no YouTube deles tocando os 20 e tantos minutos de uma das músicas mais emblemáticas de toda a história da banda: “A Change of Seasons“. A apresentação traz um Dream Theater mais preciso e maduro do que nunca (o que, sinceramente, andou se perdendo) e um LaBrie impecável como há muito eu não via. Só que esses ainda não são os motivos de eu ter escrito esse texto.

Na época do colégio (anos 2000) eu era ultra-viciado nesses caras e meu objetivo, como aspirante a guitarrista, era atingir esse nível de excelência, tanto na execução quanto na composição desse tipo de som. E eu conheci um baterista que tinha, de certa maneira, o mesmo objetivo – excetuando-se o fato de que ele era infinitamente melhor que eu, de partida. Criamos uma amizade absurdamente próxima, forte, verdadeira e baseada na paixão pela música como um todo e, sobretudo, pelos som de bandas como DT, Rush e derivados.

E éramos tão idiotas – no bom sentido – que passávamos horas sentados pelas escadarias da ETELG, por exemplo, “cantando os intrumentos” das músicas e fazendo air drum e air guitar como se fôssemos mentalmente desequilibrados. Talvez fôssemos. Quando juntavamo-nos efetivamente pra tocar, não era diferente. Podíamos não conseguir executar todos os sons como gostaríamos, mas não importava: naquele momento éramos os melhores músicos do mundo.

E esse cara tinha uma banda que tinha acabado de ficar sem guitarrista. Ele fez um belo dum lobby pra eu entrar na banda e, no final, acabei sendo aceito. Banda essa que também teria um papel importantíssimo na minha banda e cuja história merece post próprio…

Perdido ainda? Agüenta mais um pouquinho, por favor. 🙂

Uma das músicas que mais falávamos sobre, discutíamos a estrutura e nos maravilhávamos com a composição era a própria A Change of Seasons. Uma das minhas memórias mais vívidas do passado é justamente um dia à tarde, na ETELG, sem aula, em que ficamos sentados nas escadarias internas do Bloco 2 (um dos prédios da escola) cantarolando os 23:09 da música, nota por nota, pausa por pausa.

Foi mágico, foi impecável, foi besta, foi real.

Em 2005 esse cara, infelizmente, nos deixou por conta de uma tragédia dessas que não fazem o menor sentido e meu mundo (e o de muitas, mas muitas pessoas mesmo, também) ficou mais cinza. E só escreverei uma linha sobre isso – uma linha que foi bem difícil de escrever, inclusive. Seguindo…

Aí hoje, sem querer, lendo matérias sobre música acabo caindo nesse vídeo e começo a ver sem muita expectativa. O “feeling que o DT não tem” me dá um tapa na cara nos primeiros minutos e o nó na garganta vem. Há muito tempo não ouvia (e via, nesse caso) um som que trouxesse tantas memórias e enchesse meus olhos de lágrimas no meio do trabalho; um som que eu tinha esquecido o quão representativo e forte é pra mim; um som que, ironicamente, trata justamente dessa inconstância e efemeridade da nossa vida, da nossa própria mudança de estações.

Como diz mais do que apropriadamente o trecho do poema “To The Virgins, to Make Much of Time”, do poeta inglês Robert Herrick, poema este que ficou famoso no filme Sociedade dos Poetas Mortos e foi usado para dar suporte ao tema da música:

Gather ye rosebuds while ye may,
Old Time is still a-flying;
And this same flower that smiles today
To-morrow will be dying.

A vida dá e tira, as coisas chegam e vão, tudo é movimento, tudo é começo e fim. A gente precisa aproveitar a vida e suas coisas boas com intensidade e paixão, pois é isso que nos dá sentido.

E a você, André, onde você estiver espero que esteja compartilhando sua alegria, simplicidade e pureza com todos a seu redor. Você faz uma falta absurda aqui, mas sou extremamente grato por ter convivido com você o tempo que convivi – e tenho certeza que você olha pela gente o tempo todo e se diverte com o pouco de você que ficou em cada um de nós.

É isso.

Ah, e ouve lá o som. Vale a pena, sobretudo se acompanhar com a letra.

Abraços.

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Força, Chape. Muita força.

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imageEu não sei muito bem o que escrever – mas não consigo ficar sem fazê-lo.

Estou acompanhando tudo o que posso desde hoje cedo, quando soube da terrível tragédia com o avião que transportava a Chapecoense.

É dolorido.

O impacto do ocorrido é tamanho que, confesso, sinto como se tivesse perdido alguém extremamente próximo a mim; aquele nó na garganta que cresce a cada linha de notícia lida, a cada manifestação solidária dos mais diversos lados – uma avalanche de consternação e incompreensão.

Destino? Tragédia? Azar? Sei lá. Mas também não importa muito.

Aconteceu, infelizmente, aconteceu.

A maneira como se deu a classificação contra o San Lorenzo, o êxtase ao fim do jogo, o protagonismo da Chape nos últimos anos é o que vai ficar, é o que precisa ficar. Assim como a emoção da entrevista do goleiro Danilo, no vestiário, feita por Vitorino Chermont e o êxtase da narração de Deva Pascovicci (ambos, também, vítimas desse acidente) da defesa do mesmo Danilo, também vai ficar.

Cada vez mais nos distanciamos de nossa humanidade e nos afundamos numa sociedade egoísta e simplista. Que com este colossal choque de realidade, saibamos reavaliar o que realmente importa e quem realmente importa na nossa vida.

Força, aos familiares dos jogadores, dos jornalistas e dos tripulantes deste fatídico vôo.

Que Deus os abençoe e os guie.

Imagem topo: Fox Sports Brasil

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Solidão a 4 Mãos

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Dentre as coisas que mais me encantam na Bru, sua sensibilidade é uma das mais incríveis. E essa sensibilidade salta aos olhos no poema abaixo, que tive o prazer de ajudar com algumas linhas, mas cujo tema e emoção latente são inteiramente dela.

E sim, puxo saco e pago pau pra ela MESMO. <3 🙂

Amo você, gatinha!


Estar sozinho é o se acompanhar
Se fazer companhia sem querer
Sem querer olhar-se no espelho e talvez se desgostar
Gostar ou não do que os olhos de quem vê, vê.
Se não desviar, gostar
Sorrir pro que se vê
Se satisfazer pela janela do que se sente e traz
Trazer a plenitude do que se gosta e é
Ser talvez tudo aquilo que mais admira e se admirar
Ou chorar
Por preferir se esquivar do que vê
Por não se querer
Por não se acompanhar
E de pouco acompanhar, se perder
Se perder sozinho, se ensimesmar
E, mesmo não conseguindo gostar
Acabar por sozinho estar
E sozinho, afinal, ter de ficar

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